Nascimento da Letícia

 

Relato de Parto:

Obs: O relato abaixo foi escrito pela própria parturiente Natália Viccari, o texto foi mantido na integra.

 

Antes de começar, não posso deixar de lembrar que, alguns minutos depois que o Leo nasceu, minha Doula Dani me perguntou:
– O próximo filho você vai querer normal também?
E eu respondi:

– CLAROOO rsrsrs.

Nove meses depois do nascimento do Leonardo, eu o amamentava e comecei a sentir muita dor nos bicos dos seios.

Na época, eu participava de um grupo do WhatsApp com amigas maravilhosas, e elas me disseram que eu deveria fazer um exame betaHCG.

No dia seguinte fiz e a surpresa…. POSITIVO!!!
Durante toda a gestação amamentei o Leo normalmente.
Com 18 semanas de gestação, descobrimos que teríamos uma menina… Letícia ❤

Já havíamos decidido que o parto seria em casa, mas não tínhamos feito o plano de parto porque só iria pensar no parto depois das 38 semanas, já que a gestação do Leo foi até as 41 semanas e 6 dias.

Imaginei que essa gestação também seria parecida.

Eu achava que chegaria tranquilo até as 40 semanas, porque eu estava me sentindo super bem e fazia pilates 2 vezes por semana.

No dia 14/07/2016, perdi um pouco do tampão mucoso e falei com a Honi. Ela disse que era para ficar tranquila porque era pouco tampão e que podia demorar uns 15 dias para entrar em trabalho de parto.

Mas como não é a gente que decide nada, no dia 17/07/16 às 03:00 hrs da manhã eu acordo com a sensação de ter feito xixi na cama, corro para o banheiro e sinto água escorrendo pelas minhas pernas.

Sim, a bolsa estourou e a gestação estava em 36 semanas e 3 dias.

Acordei meu marido e ele me disse:
– E agora?

Respondi para ele:
– Vamos para o hospital.

Mas antes, liguei para a Honi, que foi minha parteira no parto do Leo e, pelos planos, seria do parto da Le também.
Falei para ela que tinha estourado minha bolsa, mas que não tinha saído muito líquido e que o líquido era claro. Disse também que não estava sentindo nada de dor ou cólicas, e ela me disse:
– Ô menininha apressada. Com 36 semanas você não pode parir em casa porque há risco da Leticia precisar de ajuda para respirar. Então você vai ficar em casa até entrar em trabalho de parto ativo, e depois vai para o hospital. Agora vai dormir e descansar.

Desliguei o telefone e fui tomar um banho, com o coração na mão e pensando:
“Como assim, ela já vai chegar mudando os meus planos”,
“Como assim ela não vai nascer em casa? ”,
“Vai nascer no hospital? ”,
“Vai ter intervenções? ”,
“Eu não quero…”.

Abracei meu marido e ele me disse:
– Vai acontecer do jeito que for para acontecer.
– A Leticia escolheu nascer no dia do aniversário da vó dela.
– Vamos ligar para ela.

Ela atendeu o telefone e ele cantou parabéns.

Minha mãe falou para ele:
– Eu não acredito que você me acordou de madrugada para me dar parabéns.

E ele disse:
– Não. Te acordei para avisar que seu presentinho está chegando.
– A bolsa da Nati estourou rs.

Ela quase não acreditou e disse que iria buscar o Leo. Mas eu disse que não, porque iríamos esperar as dores para ir ao hospital.

Desliguei o telefone e pensei comigo:
“Vou dormir. Dormir? Como dormir? Não, não posso dormir. Preciso arrumar a mala para a maternidade. Eu estava de 36 semanas e 3 dias não tinha nada arrumado”.

Falei para o Christopher ir dormir e fui arrumar as coisinhas da Le.

Terminei de arrumar as coisas dela e ainda não sentia nada.

Já eram 5hs da manhã. Estava com muito sono e fui dormir.

As 7hs acordei com cólicas e contrações leves. Acordei meu marido e ele disse:

– Vamos tomar café antes que as dores piorem.

Comi um pão com café com leite e fui arrumar as minhas coisas para levar ao hospital.

As contrações começaram a ficar mais doloridas e eu sempre em contato com a Honi por telefone e com as minhas amigas pelo Whats.

Às 8 horas o Leo acordou e eu pedi para minha mãe ir buscar ele.

Eu o beijei muito e, já com os olhos cheios de lágrimas, avisei que sua irmãzinha estava chegando.

As contrações estavam cada vez mais próximas e mais doloridas.

Por volta das 9 horas decidimos ir ao hospital.

Liguei para minha linda fotógrafa Michelli para ela ir ao hospital também.

Chegando lá, fui avisada que era permitido a entrada de apenas algumas doulas.

Então a minha amiga Tayla se dispôs a ir, mesmo sendo em cima da hora.

O meu obstetra estava em SP, então fomos atendidos pelo médico de plantão, Dr. Marcelo Pontual.

A Honi me avisou que ele era a favor do parto normal e isso já me tranquilizou bastante.

Na consulta de avaliação no pronto-socorro ele me disse que já estava com 6 cm de dilatação, e que o bebê estava encaixado.
Estava tudo bem para o parto normal.

Eu e o Christopher deixamos bem claro ali que não queríamos nenhum tipo de intervenção. Nada de soro e nem episiotomia. E ele prontamente disse se só iria interferir se necessário e sempre iria nos comunicar antes.

Assim, eu subi para o quarto bem mais tranquila.

Minha fotógrafa-doula Michelli e minha doula Taylla chegaram, e com o meu marido, estava me sentindo segura.

Eu e o Christopher pedimos para falar com a pediatra de plantão, pois queríamos o mínimo de intervenções na Leticia, mesmo que ela ainda fosse considerada prematura. Ela disse que só faria o que realmente fosse preciso.

Minha doula Taylla fez massagens deliciosas, me ofereceu comida e água. Mas eu estava enjoada e só bebia água.

O mais importante foi que ela me encorajava, dizendo que aquelas contrações eram por uma boa razão, que eram para ajudar a Letícia a nascer.

As contrações foram aumentando cada vez mais e pedi para ir para o banho.

Nossa, como a água quente alivia as contrações. É muito bom.

Enquanto eu estava no chuveiro, a Taylla me avisou que teria que ir embora porque sua filhinha de 6 meses estava precisando dela. Eu disse para ela que super entendia e que ela já tinha me ajudado muito.

Saí do banho porque as enfermeiras precisavam fazer a dinâmica do bebê.

Elas monitoraram os batimentos do bebê para saber se estava tudo bem, e graças a Deus estava.

Depois que elas saíram, eu fiquei ali na cama do hospital, tentando encontrar uma posição mais confortável, e pensando como eu queria estar na minha casa com a minha equipe de parto.

Mas não, por algum motivo, que eu ainda não descobri, eu teria que estar ali. Para minha sorte, eu tenho um marido maravilhoso que me deu muita força e segurança para aquele momento.

O obstetra chegou para me avaliar, e fez o toque. Disse que eu estava com quase 9cm de dilatação, mas que o colo ainda estava um pouquinho grosso, e que iria demorar no mínimo mais uma meia hora.

Ele iria ver algumas pacientes e já voltava para me levar para sala de parto.

Quando ele saiu eu pensei: “Não! Não mesmo! Ela vai nascer aqui”.

Estávamos só nos três no quarto: eu, meu marido e a Mi, a fotógrafa.

Eu fiz o auto-toque e disse que a Lê iria nascer ali no quarto, e que só era para chamar o médico quando ela já estivesse nascendo.

Os puxos começaram. Foram apenas duas contrações fortes.
Na primeira ela coroou e o Christopher disse: “ela é cabeluda”, e é claro, eu sorri.

Senti o círculo de fogo e não aguentei o quanto ardeu. E já na outra contração, fiz uma super força e dei um super grito, e ela nasceu nas mãos de seu Pai, o meu perfeito marido/parteiro.

Ele me entregou aquele toquinho de gente.

Fiz uma leve massagem em seu peitinho para ajudar ela na primeira respiração, e ela logo chorou. Um choro forte e cheio de vida. E eu beijei e cheirei. Que cheiro doce e maravilhoso que tem o bebê assim que nasce.

Nisso, as enfermeiras, o obstetra e a pediatra entraram no quarto. E eu ali, super feliz, pois tinha conseguido parir no quarto, só eu, o Christopher e a Michelli.

O obstetra esperou o cordão parar de pulsar e o Christopher cortou o cordão.

A pediatra avaliou a Leticia e ela estava super bem. Não precisou de nenhuma intervenção, e ela voltou para o meu colo para mamar.

O obstetra tentou puxar a placenta e eu disse que não, que era para deixar nascer sozinha. E assim ele esperou. Depois ele teve que fazer 5 pontinhos, pois fiz muita força na última contração e lacerou, mas nada demais.

E assim foi como a Leticia escolheu nascer: um lindo e humanizado parto natural hospitalar, pesando 2.950kg e 47cm. Uma princesa!

Quero muito agradecer à minha doula Taylla, pois o pouco tempo que você esteve do meu lado fez muita diferença.

À Michelli, que é mais que a minha fotógrafa maravilhosa, é uma amiga e uma doula incrível. Me ajudou muito durante o trabalho de parto. Lembro de você me fazendo um carinho e dizendo que eu era uma guerreira. Obrigada de coração por registrar o nascimento da Letícia com esse seu lindo olhar.

E é claro, ao meu marido Christopher. Meu eterno amor. Obrigada por acreditar em mim, por cuidar de mim, por me dar forças, por me fazer me sentir segura, por segurar minha mão e dizer que eu era capaz. Obrigada por amparar nossa filha. Ela nasceu nas suas mãos. Você foi o primeiro a sentir a sua deliciosa pele macia. Obrigada pelo Pai maravilhoso que você é.

Parto normal com 36 semanas e sem intervenções é possível sim. Obrigada Deus por me proporcionar um dia tão maravilhoso e especial.

Obrigada Leticia por me escolher como sua mãe, vou fazer o meu melhor para você ser feliz.

 

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