Nascimento da Olívia

Relato de Parto

O relato abaixo foi escrito pela própria parturiente Carine Tomacheski Garbin e foi mantido na íntegra.

Relato de parto Olívia

Ainda bem que um dia romantizei o trabalho de parto…

O titulo do relato de parto do meu primeiro filho foi: “Porque um dia romantizei o trabalho de parto”. Nele eu contei sobre como foi dolorido e sofrido parir meu filho, e embora tenha sido libertador e único, não foi nada romântico como eu costumava ver nos vídeos do youtube.
Pois bem, agora neste relato do segundo parto, o título mudou e eu entendi que cada filho é único, assim como cada parto. Ainda bem que um dia romantizei tudo, e vcs saberão o porque a seguir.
A segunda gravidez, apesar de mais difícil fisicamente, correu bem. Descobrimos o sexo no quarto mês, e foi só alegria, nossa menininha, nossa Olivia, estava a caminho. O mais velho, Otávio, desde o primeiro mês dizia que a mamãe estava gravida de uma menina, ele já sabia, e assim começava a conexão entre os irmãos.
Dessa vez eu desejava um parto domiciliar, mas estava um pouco insegura. Sorte minha ter um marido empoderado e uma mãe mais empoderada ainda que sempre apoiaram a ideia e estavam mais decididos e seguros do que eu. Minha segurança só veio depois de participar de um encontro do grupo Gesta Cascavel onde a Honi falou sobre Parto Domiciliar Planejado. Na aula dela pude entender todo o processo, conhecer as estatísticas e perceber que era um parto bem planejado e por isso seguro. Decidimos pelo PDP e nos preparamos para isso. Ela nasceria na casa da minha mãe e com a equipe Manjedoura.
Minha expectativa para a chegada da Olivia era de que ela anteciparia, pois foi assim com o Otavio, que nasceu de 38 semanas. Cheguei na trigésima oitava semana tranquila apesar da minha pressão interna.
Dia 09 de maio completamos 39+3 semanas e esse foi o dia escolhido pela nossa princesa para vir ao mundo.
Acordei as 9 da manhã com cólicas muito leves, na hora não levei a serio, porem a intensidade das cólicas foi aumentando (muuuuuito vagarosamente). As 11hs tomei um banho para ver como as contrações iriam reagir, tudo continuou evoluindo bem devagar, uma sensação maravilhosa que sempre quis sentir, as famosas ondas que trariam minha filha para meus braços, e que iam ficando cada vez mais intensas.
Comecei entrar em contato com minha equipe perto do meio dia. As contrações já estavam ritmadas afinal, uma a cada 6 a 8 minutos. Era a dor mais deliciosa do mundo, e embora eu já precisasse parar o que estava fazendo a cada contração, eu sorria, e apenas sentia aquilo com todo amor e tranquilidade que podia.
Almoçamos na minha mãe e combinamos de voltar pra lá no inicio da tarde. Arrumei toda a “mudança” carregamos o carro e cheguei lá por volta das 14hs. O Everton ainda tinha coisas para resolver na empresa então fiquei sozinha. Fui preparando o ninho com muito carinho, lendo as mensagens que minhas amadas índias (amigas do meu coração) me escreveram no chá de bênçãos, ouvindo minha playlist preparada para o parto, rezando, enfim, me conectando a minha filha e me preparando para o que estava por vir. Minha mãe também estava no quarto dela se preparando espiritualmente em oração para o tão esperado momento.
Depois das orações fizemos um lanche, o plano era comer bem para estar forte no parto, já que no parto do Otávio senti fraqueza por não ter comido nada durante o TP.
Sempre em contato com minha equipe, por volta das 16hs fui orientada pela Honi a tomar outro banho enquanto ela se preparava para vir. No banho tive as contrações monitoradas pela minha mãe e pelo marido e constatei que o TP já estava bem ativo. As dores já estavam muito fortes, mas mantive a calma e a serenidade, afinal essas dores me trariam minha esperada e já tão amada filha.
As 16:30hs a Honi chegou e preparou todo o aparato para o parto, me senti ainda mais segura e tranquila, pois estava em mãos muito competentes. Muito além da competência, a Honi partejou como um anjo. Segurando minhas mãos me passou uma força inabalável. Eu ainda estava calma e serena e até brinquei com ela que estava me sentindo em dia de depilação (hahahaha) que eu sempre ficava aflita pq ia doer muito, mas procurava pensar que logo acabaria. A essa altura a Mick, minha amada fotografa, também já havia chegado.
Já não conseguindo controlar a dor, mas ainda controlando meu nervosismo, fui para a bola na posição de 4 apoios e ali me questionava quando eu entraria na partolândia, aquela fase do parto do Otavio que tive distocia emocional gritando infantilizada e mordendo a mão das pessoas hahaha. Mas aquela fase não chegou, afinal assim como o filho era outro eu também era outra Carine, mais forte, mais centrada e preparada. Amadureci nesses últimos 3 anos de maternidade e puder perceber isso com clareza quando dominei minha dor e minhas emoções (psicologicamente falando) do inicio ao fim do parto.
Nessa hora senti uma dor absurda e com ela um liquido quente escorrendo pelas pernas. A bolsa estourou e eu já sentia uma vontade imensa de fazer força. Veio o primeiro puxo e também coco, sem nojinho galera, faz parte.
Admito que nesse momento apertei meu marido valendo, com direito a marcas e tudo rsrs. A Honi perguntou se eu queria ir para a banqueta de parto e eu aceitei pensando “caraca agora lá vem mais horas de dor nessa banqueta bendita”. Só que não! Sentei na banqueta e no mesmo momento veio o segundo puxo e com ele a cabecinha da minha filha, outro puxo e todo o corpinho nasceu as 17:55hs. Lembro de ter pensado na hora “what? Quem é essa cabeluda? Na minha família só nascem bbs carecas” kkkkkk
Deixei o Otavio a vontade para assistir o nascimento da irmã ou não. Expliquei que a mamãe poderia gritar e que sairia sangue, ele manifestava vontade de estar presente. Na hora que a Olívia nasceu ele estava chegando da escola, entrou um pouco no quarto e quis sair com a vó. Nessa hora também chegou o restante da equipe, as danadinhas de atrasadas doula Ka e Heni. Lembro também de ter visto minha irmã espiando rsrs.
A partir dali as primeiras horas de ouro foram só alegria. Olivia mamou sem parar por duas horas pele a pele com a mamãe. Só depois disso papai cortou o cordão umbilical e a Heni começou as medidas, a Mick as fotos e por aí vai. Essas horas pós parto num parto domiciliar são muito agradáveis e divertidas. É o momento descontração onde todos começam a contar suas impressões de tudo oq presenciou. Tudo oq eu sentia era ALEGRIA, ACOLHIMENTO, AMOR e GRATIDÃO. Certamente não me sentiria tão bem se fosse no hospital. Eu estava na casa da mãe afinal, onde morei por tantos anos, no quarto que era meu, na casa que sempre foi a referência do meu coração. Ali estava minha família, minhas amigas, minha equipe, enfim, as pessoas que mais amo e isso não tem preço.
O nascimento da Olivia foi a experiência mais romântica da minha vida. Nunca me senti tão entregue, serena e feliz. Ainda bem que um dia romantizei o parto, pois assim mantive minha esperança de viver uma experiência diferente e prazerosa ao parir. Dessa vez a dor não me surpreendeu, não me amedrontou e não me desestabilizou. Vivi cada segundo intensamente com muito amor e falando bem serio, queria tudo de novo.
Dia 09 de maio de 2017 vai ficar pra sempre na minha alma e no meu coração e a cada aniversario da Olivia agradecerei a Deus por ter dado a mim MULHER o dom supremo de dar a vida!

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