Nascimento do Arthur

 

Relato de Parto

O relato abaixo foi escrito pela própria parturiente Jaíne Belloni e foi mantido na íntegra

Relato de parto em homenagem aos 6 meses do Arthur

Ser mãe era o grande sonho da minha vida…
Muito antes de pensar em engravidar já pensava em parto normal. E aí o Arthur veio…meio inesperado, mas muito querido! No começo o choque! Já havia feito outros exames de gravidez, e confesso que a cada exame que eu via positivo de outra mulher (vejo exames todos os dias quase), eu ficava pensando como seria comigo, mas ao ver finalmente aquele positivo (e que baita positivo! Quase 10mil!), senti um misto de terror com “não-acredito!”.
E fiquei assim, nesse estado meio anestesiada até ele nascer… parecia que era bom demais pra estar acontecendo comigo.
Logo q soube do bebê, fui falar com a veterana e amiga Sheila Soares Schmitt sobre o parto domiciliar (PD) dela, e ela me falou sobre o grupo GESTA Cascavel e sobre ter uma doula, q eu mal sabia o que era. Primeiro Gesta de 2017 e o primeiro que participei: Parto Domicilar. Foi ali que me encantei . Eu que achava que parir era natural e que deveria manter um bebê longe de um ambiente contaminado, eu que nunca havia ficado internada havia encontrado a forma perfeita de ter o meu baby… na minha casa!
A gestação foi a mais tranquila possível.. sem enjôos ou dores, um pouco a mais de sono e azia na reta final. Tudo se encaminhando perfeitamente para o PD, mas antes eu tinha q convencer meu marido 😓. Ele era adepto ao parto natural, mas tinha mil inseguranças com ser domicilar. Quando chegou as 36 semanas, pedi a EO Henielly Palma Goes q viesse para uma conversa, tinha certeza q ela tiraria todas as dúvidas do Ivo e o deixaria com segurança na equipe! E assim foi.. ao final da conversa ele confirmou: “Por mim vai ser em casa”, meu coração já estava certo de que o Arthur teria a melhor chegada que eu pudesse lhe dar!!
E Ele também colaborou pra isso, estava cefálico (cabeça pra baixo) desde as 28 semanas. Doula escolhida (Thais Zanella), equipe escolhida (Equipe Manjedoura – Assistência ao Parto Natural), planejamento do parto feito, nossa saúde a melhor possível… era só aguardar a hora de o Arthur querer nascer!
Muitos palpites pro dia do nascimento.. a data provável era 08/08, mas eu sentia q ele não ia passar de Julho, meu chute era 22, o da minha irmã era 24, o do Ivo era dia 28 e o GO achava q eu ia chegar as 40 semanas…mas eu já sentia muitas contrações de treinamento, e elas eram bem doloridas nos últimos dias.
Dia 23/07 as 05:30 da manhã, como de costume, acordei com uma azia daquelas, mas junto com ela tb percebi q estava com contrações… pareciam as mesmas de sempre, fiquei ali deitada um tempo e então as 6hrs resolvi começar a cronometrar, porém ao pegar o celular senti um liquido quente escorrer na calcinha, tinha certeza que era a bolsa que havia estourado! Corri pro banheiro… pingando pelo chão do quarto, nem acreditei q talvez nesse mesmo dia eu já iria ter meu bebê nos meus braços!
Acordei o Ivo, que no início perguntou se eu estava brincando kkkk, mas logo q eu disse q não ele deu um pulo da cama e ficamos todos felizes q a hora tinha chegado! Até pensei em seguir a recomendação da doula de voltar a dormir e descansar, pra ter energia pro que estava por vir, mas era muita animação, e em cerca de 30min as contrações começaram de verdade. Esperei até as 07:30hrs e fui contar pra minha irmã Alexandra e meus pais q estavam na nossa casa, minha mãe Sonia quase teve um treco kkk. Avisei também a Thais e pedi pra ela ligar pra Michelli Crestani a fotógrafa, que disse q ia sair da cidade naquele dia!
E assim as coisas foram evoluindo…as contrações foram ficando mais doloridas e logo a Thais estava lá pra me ajudar com massagens pra aliviar, já não conseguia conversar durante as contrações, mas nos intervalos eu comia, conversava, ria, mexia no celular. Eu não me lembro ao certo a hora que as coisas aconteceram, mas sei que fui para o chuveiro ainda de manhã pra aliviar… e isso ajudou muito! Por volta do meio dia, entrei no chuveiro de novo… mas ai percebi que estava realmente dolorido, próximo das 13hrs entrei na fase ativa do TP, e respirar e vocalizar conforme a Thais havia ensinado aliviava muito! De repente a EO Priscilla Tives estava toda gentil e sorridente ali do meu lado, me pedindo pra avaliar o bebê, e assim ela a Henny fizeram durante todo o TP.
Desde q entrei no chuveiro pela manhã não desgrudei mais do Ivo nenhum momento… ele foi meu porto seguro durante o processo, segurou minha mão, me fez carinho, massagem, apenas esteve lá o tempo todo!
Pude mudar de posição quantas vezes achei necessário, fiquei de cócoras, quatro apoios, na cama, encostada no travesseiro, no tapete.. da forma que eu me sentia mais confortável naquele momento.
Ia tudo perfeito…as meninas distribuíram todo o material de apoio por perto, começaram a encher a banheira de água, eu só via flashs das coisas, pois a maior parte do tempo estava de olhos fechados, em nenhum momento tive medo, em nenhum momento quis desistir, nem disse q a dor era insuportável… sabia q meu corpo era perfeitamente feito por Deus para gerar, parir, nutrir um bebê, além disso confiava cegamente na equipe.
Por volta das 16hrs (isso me contaram pq aí eu já não tinha a mínima noção da hora), entrei na fase expulsiva do TP, ou seja, começaram os puxos (hora de fazer força), eu estava na cama ainda, a banheira estava sendo cheia, mas logo q encheu quis entrar na água pra aliviar a dor. E ali pareceu que fiquei uma eternidade… fazia força, fazia força mas não sentia o bebê descer, uma hora coloquei a mão e senti a cabeça dele ainda alta, nisso eu já estava ficando exausta! Tive momentos de ficar com tontura, quando não respirava da forma correta, mas a minha querida doula Thais estava ali sempre me lembrando de como eu tinha q fazer, me hidratando e me dando mel na boca pra ter energia pra continuar! Eu olhava pras pessoas e só via sorrisos! A Henny era toda alegria, vibrava a cada progresso, lembro muito bem do sorriso dela, me dava força e certeza de que tudo estava perfeito. Durante todo o parto só teve um toque, que foi quando a Henny disse que o bebê ia descer mais devagar, pois ele não tinha encaixado a cabeça 100% certinho, tinha espaço pra ele passar, mas o danadinho estava espremidinho de um lado! Eu pensava que eu tinha q me entregar, pensava q cada contração era menos uma pra ter meu bebê comigo, pensava no meu corpo perfeito abrindo caminho pra ele passar, mas confesso que é um processo muito difícil… quando se sente a dor, é quase como um reflexo a gente se contrair, mesmo sabendo que eu não podia. Passado mais uma eternidade (na minha cabeça) eu disse a Henny q estava cansada, então ela me disse q elas poderiam
me ajudar se eu quisesse, mas precisava sair da banheira. Eu topei na hora, no intervalo de uma contração sai da banheira e elas começaram a me colocar em posições que iam ajudar o Arthur a descer mais rápido, nem lembro ao certo quantas manobras foram, mas na última eu fiquei de cócoras, apoiada nas pernas da minha irmã, com a Pri e a Thais durante as contrações puxando para lados contrários o rebozo q colocaram no meu quadril… ali sim comecei a sentir arder!! O famoso círculo de fogo… eu sabia oq era, estava muito cansada, não queria prolongar o parto, tentei me entregar totalmente àquilo q estava sentindo, sabia que precisava passar por isso pro bebê nascer… senti a primeira vez de leve, senti a segunda vez agora mais ardido, na terceira contração senti forte e junto com a dor o Arthur nasceu de uma vez só e foi aparado pelo pai, como queríamos que fosse! Ali conosco minha mãe, irmã, EOs Pri e Henny, doula Thais e fotógrafa Mick (e meu pai ansioso no andar de baixo hehehe)
A primeira imagem q tenho é de ter olhado pra minha mãe q estava num canto do quarto, o rosto dela se encheu de surpresa e lágrimas começaram a escorrer de tanta felicidade! Eu queria ver meu bebê, mas não conseguia parar de chorar, era muita felicidade!!! Eu havia conseguido dar a ele o melhor nascimento que ele poderia ter! Ele nasceu tão bem que o apgar dele foi 10 já no primeiro minuto! Chorou logo que nasceu, foi envolto em um pano e entregue a mim logo em seguida! Ahhh que sensação maravilhosa aquela…. dor? Que dor? Dar a ele o melhor que eu posso é meu objetivo de vida, desde o momento de nascer, e isso já me proporcionou mais alegria do que qualquer coisa!
Assim ele ficou no meu colo por umas 3 horas, não quis mamar nas primeiras horas apesar de ter o reflexo, ficamos ali um sentindo o cheirinho do outro! A placenta saiu em menos de 10min. O Ivo ajudou a Pri a fazer as medidas, cortou o cordão umbilical (depois de mais de duas horas), colocou a primeira fraldinha e a primeira roupinha, e eu já levantei e pude tomar banho logo em seguida.
Essa foi minha experiência com a chegada do Arthur, queria q meu relato inspirasse mais mulheres a terem a mesma experiência que eu tive, pois foi a mais linda de toda a minha vida!
Obrigada a cada um dos envolvidos, sou eternamente grata pelo papel de cada um da familia e da equipe na chegada do meu príncipe!

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